A Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, por ele fundada em 1960, vem prestar-lhe seu preito de gratidão, reconhecimento e homenagem, recordando alguns traços de sua biografi a, repleta de pugnas em prol da Igreja Católica e da Civilização Cristã.
Em 13 de dezembro de 1908 nasceu Plinio Corrêa de Oliveira em São Paulo, fi lho de Dr. João Paulo Corrêa de Oliveira e de Dª Lucilia Ribeiro dos Santos Corrêa de Oliveira. Provinha, pois, de duas tradicionais famílias brasileiras, originárias dos estados de Pernambuco e São Paulo.
Excelente educadora, Dª Lucilia soube inculcar-lhe, de forma indelével, a fé católica apostólica romana, à qual ele dedicaria toda a sua vida. Por isso, mereceu ela o maior elogio que um fi lho pode fazer à sua mãe: “Mamãe me ensinou a amar Nosso Senhor Jesus Cristo, ensinou-me a amar a Santa Igreja Católica”.
A trajetória de Plinio Corrêa de Oliveira atravessou quase de ponta a ponta o século XX, deixando-nos um exemplo de integridade de vida, coerência e vitalidade de pensamento, zelo e destemor na defesa dos princípios que professava e uma entranhada devoção à Santíssima Virgem.
Jovem líder católico
A Plinio Corrêa de Oliveira não faltavam dotes para obter êxito na vida intelectual, política ou profi ssional.
Todas as portas para uma brilhante carreira lhe estavam abertas, mas ele deliberou dar outro rumo à sua vida, como expressou com as seguintes palavras: “Quando ainda muito jovem, Considerei enlevado as ruínas da Cristandade, A elas entreguei meu coração Voltei as costas ao meu futuro, E fi z daquele passado carregado de bênçãos O meu Porvir...”
Em setembro de 1928, como jovem estudante universitário, Plinio participou do Congresso da Mocidade Católica, em São Paulo. E logo ingressou no Movimento Católico, no qual militaria até o fi m de seus dias.
Como muitas vezes ele recordará mais tarde, iniciou-se ali a segunda fase de sua vida.
A Plinio Corrêa de Oliveira não faltavam dotes para obter êxito na vida intelectual, política ou profi ssional.
Todas as portas para uma brilhante carreira lhe estavam abertas, mas ele deliberou dar outro rumo à sua vida, como expressou com as seguintes palavras: “Quando ainda muito jovem, Considerei enlevado as ruínas da Cristandade, A elas entreguei meu coração Voltei as costas ao meu futuro, E fi z daquele passado carregado de bênçãos O meu Porvir...”
Em setembro de 1928, como jovem estudante universitário, Plinio participou do Congresso da Mocidade Católica, em São Paulo. E logo ingressou no Movimento Católico, no qual militaria até o fi m de seus dias.
Como muitas vezes ele recordará mais tarde, iniciou-se ali a segunda fase de sua vida.
Narra ele: “O Movimento Mariano, cuja expansão começara por volta de 1925 entre os jovens brasileiros, principalmente
da média e pequena burguesia, tivera no Congresso da Mocidade Católica uma de suas primeiras afi rmações triunfais. A partir de então estendeu-se de São Paulo a todo o Brasil o grande surto das Congregações Marianas que, em 1933, demonstrariam ser uma grande força nacional. Elas prestaram à Igreja – num país em que a prática da Religião era tida, em geral, como própria apenas para mulheres e velhos – o incomparável serviço de atrair para ela, e para as atividades apostólicas, legiões inteiras de moços de todas as classes sociais. Essa transformação abria novo capítulo na vida religiosa do Brasil”.
Plinio Corrêa de Oliveira seria o líder dessa expansão das Congregações Marianas, levando-a a um apogeu.
Numa incansável série de realizações, fundou, em agosto de 1929, a Ação Universitária Católica (AUC), que tomaria imediata importância na vida acadêmica. No mesmo ano, fundou a Academia Jackson de Figueiredo, um espaço para a formação de intelectuais católicos.
Tendo em vista as eleições para a Assembléia Constituinte – convocadas após a Revolução Constitucionalista de 1932 –, idealizou a Liga Eleitoral Católica (LEC), de cuja organização participou ativamente.
Como candidato da LEC, tornou-se, aos 24 anos, o deputado mais jovem e o mais votado de todo o país.
Professor, advogado e jornalista
Terminada a Assembléia Constituinte, Plinio decidiu assumir diversas cátedras universitárias e trabalhar no seu escritório de advocacia, reservando, entretanto, o melhor de seu tempo e de suas energias para as atividades de apostolado.
Como diretor do “Legionário”, órgão da Congregação Mariana de Santa Cecília, dedicou-se a valorizá-lo e, ao cabo de algum tempo, transformouo no principal jornal católico do Brasil.
A infl uência do “Legionário” advertiu sobre o perigo da baldeação de ponderável número de católicos para as ideologias nazista e fascista, cujo cunho anticristão o jovem diretor salientava em seus artigos.
Além de catedrático de História da Civilização no Colégio Universitário anexo à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Plinio Corrêa de Oliveira foi catedrático de História Moderna e Contemporânea na Faculdade de Filosofi a, Ciências e Letras de São Bento, e na Faculdade Sedes Sapientiae, ambas da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Em seu escritório de advocacia, organizado de modo a favorecer seu apostolado, os maiores clientes eram a Cúria Metropolitana de São Paulo, a Ordem de São Bento e a Ordem do Carmo.
Em 1940, Plinio Corrêa de Oliveira foi nomeado Presidente da Junta Arquidiocesana da Ação Católica de São Paulo. Neste cargo ele publicou seu primeiro livro, “Em Defesa da Ação Católica”, que veio a lume em 1943 com um prefácio do Núncio Apostólico, Dom Bento Aloisi Masella, o qual afi rmava: “Escrito por um homem que sempre viveu na Ação Católica e cuja pluma está sempre a serviço da Santa Igreja, fará muito bem às almas e promoverá a causa da Ação Católica nesta terra bendita de Santa Cruz”.
Em 26 de fevereiro de 1949, o Papa Pio XII, por meio do então Substituto da Secretaria de Estado – Mons.
João Batista Montini, posteriormente o Papa Paulo VI –, manifestou sua aprovação ao livro, em carta enviada a Plinio Corrêa de Oliveira: “Explanaste e defendeste com penetração e clareza a Ação Católica, da qual possuis um conhecimento completo, e à qual tens grande apreço. [...] O Augusto Pontífi ce de todo o coração faz votos para que deste teu trabalho resultem ricos e sazonados frutos”.
Tradição Família Propriedade
Plinio Corrêa de Oliveira era muito apreciado como orador e conferencista.
Qualquer que fosse o tema tratado, sem nunca se repetir, brindava seus auditórios com atraentes perspectivas, grandes panoramas e profundidade de análise e refl exão. Discorria com desembaraço e conhecimento por temas de natureza histórica, social ou psicológica, cultural ou fi losófi ca, focalizando os seus mais altos aspectos espirituais, sempre sob a luz infalível da teologia católica.
Um de seus discursos mais célebres foi proferido durante o IV Congresso Eucarístico Nacional, em 1942, diante de centenas de milhares de católicos que lotavam o Vale do Anhangabaú, na capital paulista. Falando com amor de sua pátria, declarou: “A missão providencial do Brasil consiste em crescer dentro de suas próprias fronteiras, em desdobrar aqui os esplendores de uma civilização genuinamente católica, apostólica e romana, e em iluminar amorosamente todo o mundo com o facho desta grande luz, que será verdadeiramente o ‘lumen Christi’ que a Igreja irradia”.
Na década de 50, as conferências, palestras e exposições de Plinio Corrêa de Oliveira passaram a ser gravadas. O conjunto dessas gravações, transformadas em texto, acabou por constituir um acervo de cerca de um milhão de páginas.
Em janeiro de 1953, ele começou a promover anualmente a “Semana de Estudos de Catolicismo”, na qual se reuniam
jovens católicos para conferências, palestras e círculos de estudos, analisando a situação da Igreja e do mundo. Por
esse meio, expandiu seu apostolado para outros estados do Brasil, e chegou o dia em que vieram participar dela também pessoas de todos os continentes.
Resultado dessa atividade foi a fundação, em julho de 1960, da TFP – Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade.
Devoto da Santíssima Virgem
Plinio Corrêa de Oliveira cultivou uma profunda devoção à Santíssima Virgem, que se refl etia em seu estilo de rezar, no hábito e no modo carinhoso de em tudo a Ela se referir.
Em suas conferências, discursos, reuniões, sempre inseria alguma menção a Nossa Senhora.
Praticava a devoção a Ela segundo o método preconizado por São Luís Maria Grignion de Montfort, ao qual aderiu após ter lido o “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”. Escreveu ele, em setembro de 1980, em um matutino paulista: “São Luís Grignion propõe que o fi el se consagre livremente como ‘escravo de amor’ à Santíssima Virgem, dando- lhe seu corpo e sua alma, seus bens interiores e exteriores, e até mesmo o valor de suas boas obras passadas, presentes e futuras, para que Nossa Senhora delas disponha, para maior glória de Deus, no tempo e na eternidade.
Nossa Senhora, como Mãe excelsa, obtém em troca, para seus ‘escravos de amor’, as graças de Deus que elevem as
inteligências deles até a compreensão lucidíssima dos mais altos temas da Fé, que dêem às vontades deles uma força angélica para subir livremente até esses ideais, e para vencer todos os obstáculos interiores e exteriores que a eles indebitamente se oponham”.
“Eco fi delíssimo”
Em 1959, Plinio Corrêa de Oliveira publicou seu segundo livro, “Revolução e Contra-Revolução”, no qual reafi rmava sua irrestrita adesão à Cátedra de Pedro. O Núncio Apostólico no Peru, Dom Romulo Carboni – depois cardeal –, enviou-lhe em julho de 1961 uma carta na qual se refere a essa obra nos seguintes termos: “Estou certo de que, com seu douto livro, o senhor prestou um singular serviço à causa católica e contribuirá para concentrar as forças do bem para a rápida solução do grande problema contemporâneo. [...] Auguro-lhe, estimado Professor, uma ampla difusão e uma merecida acolhida a seu livro, de parte dos leitores católicos”.
A submissão de Plinio Corrêa de Oliveira ao Supremo Magistério da Igreja se refl etia em todos os seus atos, palavras e escritos.
Tal postura foi reconhecida em outras missivas de autoridades eclesiásticas. Assim, em 2 de dezembro de 1964, um dicastério do Vaticano – a Sagrada Congregação para os Seminários e Universidades (antecessora da atual Congregação para a Educação Católica) – escreveu uma carta de louvor a seu livro “A liberdade da Igreja no Estado comunista”.
Assinada pelo Cardeal Giuseppe Pizzardo e pelo Arcebispo Dino Staff a – mais tarde também cardeal –, afi rmava que o autor era “merecidamente célebre por sua ciência fi losófi ca, histórica e sociológica”. E enaltecia a obra, como sendo “um eco fi delíssimo dos Documentos do Supremo Magistério da Igreja, inclusive as luminosas Encíclicas ‘Mater et Magistra’, de João XXIII, e ‘Ecclesiam Suam’, de Paulo VI”.
Ser apenas um “eco fi delíssimo” era a aspiração de Plinio Corrêa de Oliveira. Insistia em que o amor ao Papa é o sinal característico do autêntico católico, que deve primar pela fi delidade ao Magistério Pontifício.
Vir catholicus, totus apostolicus, plene romanus
Em 10 de janeiro de 1978, Plinio redigiu um testamento, no qual afi rmava:
“Declaro que vivi e espero morrer na Santa Fé Católica Apostólica e Romana, à qual adiro com todas as veras de minha alma. Não encontro palavras sufi cientes para agradecer a Nossa Senhora o favor de haver vivido desde os meus primeiros dias, e de morrer, como espero, na Santa Igreja, à qual votei, voto e espero votar, até
o último alento, absolutamente todo meu amor”.
Em 20 de julho de 1995, em carta publicada no diário La Vanguardia, de Barcelona (Espanha), Frei Antonio Royo Marín, OP, famoso teólogo que conheceu Plinio Corrêa de Oliveira pessoalmente, escreveu: “Notável como pensador, escritor e
homem de ação, justifi ca inteiramente no contato pessoal a impressão causada pelo estudo atento de sua vida e de suas obras. [...] Eu poderia citar inumeráveis expressões de amor à Igreja Católica e de adesão ao Papado, que Dr. Plinio repetia em conversas, reuniões, despachos, conferências”.
Em abril de 1991, a propósito de um apelo enviado por Plinio Corrêa de Oliveira a todos os chefes de Estado do mundo ocidental, em prol da Lituânia, a Secretaria de Estado do Vaticano, na pessoa de Mons. Crescenzio Sepe – atualmente Cardeal –, enviou-lhe uma mensagem nos seguintes termos: “Prezado Dr. Plinio: Esta Secretaria de Estado o saúda e informa que o Santo Padre recebeu sua missiva de 15 de março passado, ao mesmo tempo que agradece a V. Sa. pelas deferentes palavras dirigidas a Sua Pessoa, o Vigário de Cristo na terra”.
No seu último livro, Nobreza e elites tradicionais análogas nas alocuções de Pio XII ao Patriciado e à Nobreza romana (1993), Plinio Corrêa de Oliveira salientava o papel que cabe às elites a serviço do bem comum, espiritual e temporal.
Entre as diversas manifestações de felicitação que recebeu, destacam-se as cartas dos Cardeais Silvio Oddi, Mario Luigi
Ciappi, Alfons Stickler e Bernardino Echeverría Ruiz.
A primeira pessoa a quem Plinio Corrêa de Oliveira quis enviar o livro foi o próprio Papa João Paulo II. Em fevereiro de 1993, antes mesmo de a obra ser impressa, ele fez chegar o texto ao Cardeal Francis Arinze, com a intenção de que alcançasse o Sumo Pontífi - ce.
E tão logo foi publicada, ofereceu um exemplar especial ao Santo Padre, acompanhado de uma carta datada de 8 de julho do mesmo ano: “Queira Vossa Santidade ver nesta publicação – na qual, como é natural, são numerosas as citações dos ensinamentos de Vossa Santidade e referências a Vossa Augusta Pessoa – os sentimentos de um profundo acatamento à Cátedra de Pedro e minha comovida recordação do inolvidável Papa Pacelli. Rogo a Vossa Santidade que favoreça a difusão desta obra com suas preciosas bênçãos e orações. De Vossa Santidade, fi lho e servo humilde”.
Em julho de 1970, em um artigo para a Folha de S. Paulo, intitulado “A perfeita alegria”, depois de reafi rmar sua adesão fi lial ao Papa na pessoa de Paulo VI, Plinio Corrêa de Oliveira terminava com estas palavras: “Quero que o derradeiro ato de minha inteligência seja um ato de fé no Papado.
Que meu último ato de amor seja um ato de amor ao Papado. Pois assim morrerei na paz dos eleitos, bem unido a Maria, minha Mãe, e por Ela a Jesus, meu Deus, meu Rei e meu Redentor Boníssimo”.
Foi com esses sentimentos de fi delidade e amor que ele entregou sua alma a Deus, em 3 de outubro de 1995. |